Fonoaudiologia

 

Definição:

A Fonoaudiologia é a ciência que tem como objetivo de estudo a comunicação humana, no que se refere ao seu desenvolvimento, distúrbios e diferenças, em relação aos aspectos envolvidos na função auditiva periférica e central, na função vestibular, na função cognitiva, na linguagem oral e escrita, na fala, na fluência, na voz, nas funções orofaciais e na deglutição.

A fonoaudióloga é uma profissional da saúde e atua em pesquisa, prevenção, avaliação, diagnóstico e tratamento fonoaudiológico na área da comunicação oral e escrita, voz, audição/equilíbrio, sistema nervoso e sistema estomatognático incluindo a região cérvicofacial. Este profissional tem autonomia para atuar sozinho ou em conjunto com outros profissionais de saúde em clínicas, creches, escolas (comuns e especiais) e comunidades, incluindo o Programa de Saúde da Família, unidades básicas de saúde, hospitais, emissoras de rádio e televisão, teatro, home care (atendimento domiciliar), empresas de próteses auditivas, indústrias, centros de reabilitação, entre outros.

Audiologia:

Realiza exames audiológicos e otoneurológicos (audiometria tonal limiar, audiometria vocal, índice de reconhecimento de fala, imitânciometria acústica, provas de função tubária, teste de reflexos estapedianos, emissões otoacústicas, audiometria de tronco encefálico, potenciais evocados de curta, média e de longa latência, monitoração transoperatória em neurocirurgias, vídeonistagmografia, vectoeletronistagmografia, rinometria acústica, exames de processamento auditivo central avaliação de como o sistema nervoso central está processando a audição, dentre outros) para verificar se a função auditiva dos pacientes está normal ou se apresenta algum tipo de problema. Nesta área, o Fonoaudiólogo especialista em audiologia, conhecido como audiologista, realiza diagnósticos, prognósticos e estabelece tratamentos ou auxilia no estabelecimento de condutas de outros profissionais da área da saúde tais como pediatras, otorrinolaringologistas, neurologistas, neurocirurgiões, geriatras, clínicos gerais e outros. O audiologista também seleciona e adapta aparelhos para corrigir a função auditiva e pode habilitar ou reabilitar deficientes auditivos. Este profissional deve ser consultado regularmente, desde os primeiros dias de vida, onde é realizada uma avaliação da capacidade auditiva do bebê ao nascimento, posteriormente ao completar 1 ano de vida, e ao entrar em idade escolar, ou quando apresentar quaisquer sintomas como dor, sensação de ouvido tapado, tonturas, zumbidos (chiado), estalos, e dificuldades para ouvir. A otoneurologia se dedica a diagnósticos relacionados à função vestibular que participa do controle do equilíbrio do indivíduo, área de fusão entre a fonoaudiologia, otorrinolaringologia e neurologia, cujas doenças desse sistema são popularmente conhecidas como “labirintires”. Juntamente com o Otorrinolaringologista, o audiologista, participa da cirurgia de implante coclear (dispositivo eletrônico implantado no nervo da audição) fazendo exames antes e depois do implante pra saber se o paciente reagiu bem ao aparelho, indicando ao Otorrino aonde colocar o aparelho na orelha do paciente. O audiologista pode também fazer a monitoração de pacientes em coma, auxiliando no prognóstico destes pacientes, realiza exames eletrofisiológicos da audição para auxiliar no processo de diagnóstico de morte encefálica, e pode realizar monitoração da ototoxicidade* ao paciente quando em uso de certas medicações como é o caso do uso dos antibióticos conhecidos como aminoglicosídios (amicacina, arbecacina, gentamicina, canamicina, azitromicina, neomicina, netilmicina, paromomicina, rodostreptomicina, estreptomicina, tobramicina e apramicina e as antraciclinas – utilizadas em quimioterapias.

Linguagem:

Acompanha o desenvolvimento do bebê desde o nascimento, e a partir daí em consultas regulares, nos aspectos relacionados ao processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem. Estuda problemas relacionados com a aquisição e o desenvolvimento da linguagem, faz diagnósticos de atrasos ou retardos de linguagem, estabelece o tratamento para a habilitação em crianças com atraso ou deficiência desta ordem. Faz avaliação, diagnóstico, prognósticos e estabelece tratamentos para pacientes que adquiriram a linguagem mas a perderam ou passam a apresentar algum distúrbio ou anormalidade por algum motivo, a exemplo de quem sofreu derrame cerebral também chamado de AVE (acidente vascular encefálico), traumas cranianos, isquemias cerebrais, doenças degenerativas do sistema nervoso central (esclerose múltipla, mal de Alzheimer, degeneração olivopontocerebelar, mal de Parkinson, etc.), tumores intracranianos, sequelas de neurocirurgias e outras condições clínicas.

Os problemas podem ser retardo na fala ou emissões das primeiras palavras (demora para falar e expressar-se), deficiência na formação de frases – (fala frases de forma incompleta ou mal consegue terminá-las); omissões e acréscimos de sons na fala (pula palavras ou frases inteiras); troca de fonemas (Troca palavras) ; gagueira (pode ser de origem neural, psicológica ou motora), entre outros.

Motricidade Orofacial:

É a área que estuda a musculatura da face, boca e língua. Soluciona problemas relacionados à: sucção, mastigação, deglutição, respiração, posicionamento da língua de modo errado, dificuldade ou impossibilidade de deglutir alimentos de forma segura que são chamadas de disfagias, trata também do mau alinhamento dentário quando a musculatura é flácida também, tratando de pacientes com bruxismo. Realiza avaliações, diagnóstico, prognósticos e estabelece tratamentos para pacientes com comprometimento de alguma das funções primeiramente descritas e que afetam a região da cabeça e pescoço. Também atua na área de estética para quem quer um rosto mais redondo, mais quadrado ou musculoso e quem tem rugas no canto dos olhos e em outras partes do rosto através de exercícios musculares.

Anteriormente a disfagia era considerada uma das áreas de atuação do Fonoaudiólogo especialista em Motricidade Orofacial, porém, atualmente se constitui em uma nova especialidade da Fonoaudiologia. A disfagia pode ser definida como dificuldade de deglutição. Caracteriza-se por um sintoma comum de diversas doenças. Pode ser causada por alterações neurológicas como o acidente vascular cerebral (AVC), ou derrame, outras doenças neurológicas e/ou neuromusculares e também alterações locais obstrutivas, como as doenças tumorais do esôfago.

Disfagia temporária é comumente observada em pacientes submetidos a cirurgia da coluna cervical via anterior, traumas e pequenos acidentes vasculares cerebrais.

O propósito fundamental da identificação da causa da disfagia consiste em selecionar o melhor tratamento, que pode variar desde o tratamento de reabilitação fonoaudiológica, a alteração de consistência dos alimentos para evitar a aspiração do conteúdo para o pulmão e pode ter um foco completamente diferente como o cirúrgico, no caso de doenças neoplásicas do esôfago.

Medidas adicionais paralelas ao diagnóstico das causas seria o de evitar, o máximo possível, as complicações da disfagia: desidratação, infecções pulmonares e subnutrição.

Voz:

O profissional que atua nessa área pode não só prevenir os distúrbios da voz como melhorá-la, atuando no aperfeiçoamento e promoção da saúde vocal, tanto na fala como no canto, até a reabilitação das disfonias, com preocupação especial na prevenção dos problemas de voz. Como quando se torna áspera, rouca ou de difícil emissão. A fonooncologia, por exemplo, atua em todos os aspectos e possibilidades de reabilitação do indivíduo que tenha sido acometido por câncer de cabeça e pescoço, assim como promove a inserção do fonoaudiólogo em equipes hospitalares multiprofissionais.

Ensinar técnicas que auxiliam a correta postura e seu uso quanto a respiração e impostação vocal por exemplo, para quem trabalha na área de telemarketing e em meios de comunicação oral.

  Fonte: Definição proposta pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia/2002.